Eu Li [22] – Desafio Literário 2011.05.02

Comando Vermelho – A História do Crime Organizado 
Carlos Amorim
BestBolso, 365 páginas

Gente! Olha a capa deste Livro! Dá vontade de ler, não?

“A pena de prisão é um remédio opressivo e violento,
de conseqüências devastadoras sobre a personalidade humana. “

(Frase do jurista Evandro Lins e Silva em Sistema Penal para o Terceiro Milênio –
Atos do Colóquio Marc Ancel. Rio de Janeiro, setembro de 1990.)

Esta é mais uma obra que trata a respeito do fenômeno da violência urbana no Brasil, agora com ênfase do crime organizado. A publicação foi premiada com o Jabuti, na categoria Reportagem, em 1994. O autor investiga a história e a estrutura de uma das mais importantes facções do tráfico de drogas: o Comando Vermelho. O Livro é uma análise histórica (e de algum modo também sociológica) da violência  nas cidades brasileiras –  o destaque aqui é o Rio de Janeiro – que é descrita como uma guerra civil não declarada travada com toda a sociedade. Amorim narra a história dos chefões do Comando Vermelho, o contrabando das armas, a corrupção policial, as ligações do crime com a política e com o tráfico internacional de drogas.

Mais uma vez penso o quão estranho é ler sobre nossa sociedade de 20 anos atrás e novamente enxergar a atualidade de cada uma dessas discussões e descobrir a simples tendência a piorar de cada uma dessas coisas.  Li certa vez que a violência social é um câncer político, ao final deste livro só confirmo esta expressão.
A facção criminosa  é  filha da ditadura militar: criada na cadeia pela repressão (que juntou presos políticos e comuns – opa! clichê, clichê!) e crescendo no vazio político e social agravado pelo regime. O Comando Vermelho fez uma espécie de paródia das organizações de esquerda da década de 70 no Brasil, enquanto a polícia procurava subversivos do sistema o crime imitava suas artimanhas (seus jargões, suas táticas de guerrilha urbana, sua rígida linha de comando,etc.) e saia ileso  por não ser  o foco das perseguições.

Das muitas coisas que retirei do livro nenhuma delas pretende  desmistificar o papel do bandido e suas consequencias para a sociedade, não os faço vítimas do sistema, nem irresponsáveis pela sua própria sorte, mas não é de todo errado observar o modo como alimentam-se do enfraquecimento do próprio sistema que tenta combatê-los. Os invisíveis sociais ganham espaço/visibilidade no momento que  se fazem notar, ainda que via da violência, e foi exatamente o que mais me chamou atenção em toda narrativa.
Amorim trás nas primeiras páginas uma frase de  Manoel Pedro Pimentel, ex-Secretário de Justiça de São Paulo, que resume bastante este sentimento  e com ela encerro esta resenha:

“Entendo que, comparado ao mendigo, o ladrão é melhor. O mendigo, cuja honestidade é preferida como mais comovente pela sociedade, é um vencido que desistiu de lutar. Entregou-se, conformou-se com a marginalização e estendeu a mão desarmada à caridade pública. O ladrão não. Reage e enfrenta a sociedade. Arrisca a liberdade e a própria vida. Continua lutando, não se conformando com a sorte que lhe foi destinada. Estende a mão armada e tira aquilo que muitas vezes é negado ao mendigo. Por isso é que chego a sentir certa admiração e qualificado respeito ao ladrão. Pelo mendigo, não consigo sentir mais do que piedade.”

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