Eu Li [26]

Feridos em Nome de Deus

Marília de Camargo César

Mundo Cristão, 160 páginas

É um Livro jornalístico e carrega em si toda a ressalva de jornalistas falando de religião. Penso que há introdução de muitos assuntos relevantes, introduções boas para pensamentos que se desenvolvem pouco – ou quase nada. Todavia cumpre o que se propõe: É um Livro Denúncia!

A fragilidade e  a carência humana produz um tipo de fé  que machuca, uma fé distorcida: a fé que  se permite manipular, transformando pessoas em presas fáceis de variados abusos. A confiança torna-se peça em um jogo onde a autenticidade  e sinceridade perante em Deus é substituída pela submissão acrítica a lideranças igualmente doentes e despreparadas. Almas carentes de acolhimento são ‘capturadas’ pela manipulação emocional.
Aqueles que deviam curar acabam por dilacerar o que resta dos corações. A religião vira símbolo de futilidade e a presença de Deus moeda de barganha em um meio que valoriza cada vez mais a meritocracia e conquistas materiais. Surge então a presença de líderes carismáticos,  que arrebanham multidões em torno da sua própria imagem,  que tornam a religião descaracterizada da Adoração verdadeira e caminhando sobre a linha tênue de  amor e dor.
O Livro, contudo, traz esperanças: em dado momento há a percepção do abuso e os corações rompem com a dor. Mas feridas ficam. É quase impossível não tê-las.

É sobretudo uma reportagem que aprofunda um lado obscuro da igreja evangélica brasileira. A autora acaba por expor que  tais acontecimentos são formulados em determinadas denominações, nisso discordamos, a situações apresentadas são propícias de ocorrer em qualquer lugar onda haja  Fé doente ou engatinhando e pessoas com escrúpulos questionáveis rondando.
Apreciei a ‘solução’ que a autora tenda apresentar durante o livro : é imperativo o surgimento de lideranças não autocráticas. E por que não de membro que creiam que antes de mais nada Deus é a voz principal nas suas Vidas. Pessoas mais  independentes de mediadores com a Divindade, pessoas criticas das próprias ações e das alheias – com luz na sabedoria- tornam-se saudáveis e capazes de perpetuar um Cristianismo Real.

Durante a leitura senti angústia, raiva e compaixão pelas histórias. Indignação. Sim,sim! Essa é a melhor descrição. É necessário acordar, é necessário pastorear, é necessário resgatar, é necessário curar. Aí encaixo um outro problema do livro: O que os que foram feridos ao lerem tudo isso podem pensar? O que eles devem fazer? Ao final penso que há apenas legitimação para desvinculação das Instituições que a ferro e fogo marcam  os indivíduos. Mas.. será isso mesmo o que é preciso? E o resgate do ideal de Igreja, onde fica? O que os indivíduos cambaleantes  fazem -pelo cristianismo – quando adquirem e tal  liberdade?
Ficam muitas lacunas.

“Ataque-me — eu mesmo faço isto —, mas ataque a mim, em vez de culpar o caminho que sigo e que indico a todos aqueles que me perguntam onde acho que ele esteja. Se conheço o caminho de casa e ando por ele embriagado, o caminho não deixa de ser certo simplesmente porque ando por ele cambaleante! Se não é o caminho correto, então mostre-me um outro; mas se cambaleio e perco o caminho, você deve me ajudar, deve manter-me na senda da verdade, assim como eu mesmo estou disposto a ajudá-lo. Não me leve por caminhos errados, não fique feliz por eu me perder, não se rejubile dizendo: “Olhe para ele! Disse que estava indo para casa, mas está se arrastando para um pântano!” Não, não se regozije, mas dê-me seu apoio e sua ajuda.”  (Cartas, Liev Tolstoi)

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