Eu Li [29] – Desafio Literário (Extra)

Memorial de Maria Moura
Rachel de Queiroz
MediaFashion, 606 páginas

Pura coincidência ler este livro este mês! Acabou que coincidiu com o tema ‘Clássico da Literatura Brasileira’ e virou meu ‘livro brinde’ pro desafio deste mês. É clássico, não é? Então tá valendo…

Um Livro que narra   a história do sertão brasileiro do século XIX, suas lutas, suas glórias, suas terras… o Amor, o ódio, a luta de ninguém para ninguém em terras de ninguém – abandonadas pela ordem pública criando e recriando suas próprias leis… com um diferencial interessante: há a perspectiva feminina de um mundo machista!
Mundo este que pra ser aceita é preciso ser maior do que suas condenações externas:  é preciso ser mais experta, mais forte, mais sorrateira.  É preciso abrir mão do cuidado pra mostrar valentia. É preciso não amar, sofrer calada, esquecer das perdas, endurecer perdendo a ternura na poeira da estrada que leva aos sonhos de independência, de liberdade. E a estrada não é qualquer uma! É a estrada sertaneja que caleja e mata: Porque o que mais são os sobreviventes desta terra do que mortos reféns de perpetuar suas próprias histórias? Repeti-las até ser devorado por elas.

Era eles ou eu”     (lema da Protagonista)

O livro é estruturado a partir da perspectiva de vários narradores que contam suas histórias em primeira pessoa o que dá a narrativa um ar corrido, leve, onde devora-se 600 páginas sem perceber.  A história fica envolvente pois no decorrer dos capítulos desemboca-se em um denominador comum e podemos entender a vida da protagonista de vários ângulos.

” quando a lama virou pedra e mandacaru secou
quando arribação de sede bateu asas e vou
foi ai que eu fui me embora
carregando a minha dor ”

Chega a ser besta, e de certo modo bem preconceituoso, pensar nesta música quando tento narrar a história de Maria Moura! Mas o que posso fazer? Não consigo descrever de outro modo.
A transformação de menina em mulher que acompanha-se na história é incrível!
As circunstâncias da vida quebrando os tabus, pelas mão e pelo carácter da protagonista, e sendo temperado por  temas polêmicos que ainda hoje geram debates no mundo feminista – e na nossa sociedade em geral: poder, aborto, traição, propriedade, estupro, religiosidade, entre outros.  Rachel conseguiu unir tudo isso sem ser enfadonha!

Eu nunca tinha lido Queiroz (!), simplesmente adorei toda a personalidade na escrita, o envolvimento e a grande pesquisa histórica que ela apresenta na narrativa: é minuciosa com os detalhes e contextos que descreve. Acaba apresentando muito da cultura ‘esquecida’ deste Brasil: isso me fascina!

Ah! é um trocadilho infame, mais uma vez, mas não tem como ao final desta história não cantarolar esta música também.
😉

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