Eu Li [35] – Desafio Literário 2011.09.01

Tipo… a resenha tá mega atrasada! (assim como a próxima que segue) mas como não abandonei o Desafio  (apenas me enrolei um pouquinho)  vim aqui fazê-la com muito carinho,viu? Achei simplesmente incrível a oportunidade de conhecer autores diversos (e muitos até desconhecidos) deste Brasil! Uma pena não ter conseguido mostrar  um pouquinho de Goiás para o grupo do Desafio. =/
Mas vamos lá:

Tropas e Boiadas
Hugo de Carvalho Ramos
Kelps, 156 páginas

Escolhi Tropas e Boiadas no primeiro instante que vi a opção no Desafio. O nome do autor fez parte de bons anos da minha vida (eu estudei em um Colégio que carregava seu nome) eu nunca tinha criado coragem para ler sua Obra! Na Biblioteca deslumbrava a primeira edição do livro, mas só agora 5 ou 6 anos depois consegui ler essa edição bonitinha aí da Editora Kelps! 😀 Aí vocês julgam como não é ‘nada parcial’ minha resenha,né? hehe 🙂

Tropas e Boiadas é um livro de contos e crônicas regionalistas sobre o universo sertanejo. Chega até ser poético a maneira como é exposta a realidade  goiana do começo do século. Apesar dos termos difíceis (posso dizer arcaicos?)  e de um linguajar cheios de ‘jargões’ típicos do interior do Brasil (confesso que as pessoas de fora podem se sentir um tanto quanto perdidas nesta linguagem) as narrativas em si não são difíceis de entender.
A realidade (diria a vida social) goiana, assim como a natureza  do estado (<3 Cerrado) é descrita de uma forma muito real apesar de ‘estilizada’, as palavras, de certo modo, chegam a ferir  pelo modo agressivo que muitas vezes se apresenta: para retratar a dureza do sertanejo não há forma melhor. O autor carrega as linhas com ideologias e criticas a sociedade da época e a escrita rude parece ser feita para impressionar os leitores. A meu ver, consegue.
Também senti uma melancolia, uma tristeza que beira a saudade, das vivências. O autor parece relembrar nostalgicamente, com uma riqueza de detalhes ímpar, um Goiás onde a ordem de importância e as necessidades sentimentais/materiais do povo está ainda distante do que o país vivia até então; o modo como trata os animais na narrativa ilustra isso: o sertanejo zela pela integridade do animal, muitas vezes mais do que a sua própria, e de algum modo sinto que Carvalho Ramos acaba transformando eles em protagonistas colocando o homem como parte secundária das histórias.
No livro ainda podemos conhecer muito do folclore  goiano criando então também um folclore, algo que beira o mito, sobre a realidades destas terras contrastando com o esteriótipo provinciano que as mesmas apresentavam para o país litorâneo.
Até pensei em descrever um pouquinho de cada dos 15 contos do livro… Mas bateu preguicinha 😛 Fica pra releitura! (sim, sim! Gostei a ponto de desejar isso pra qualquer dia desses..)

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Aos 21, quando publicou Tropas e Boiadas

Aos 21, quando publicou Tropas e Boiadas

Hugo de Carvalho Ramos nasceu em 21 de maio de 1895, em Vila Boa, então Capital do Estado de Goiás. Iniciou seus estudos na cidade natal e depois foi para o Rio de Janeiro, onde, em 1916, matriculou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Colaborou com diversos jornais e revistas, Lavoura e Comércio, de Uberaba, a revista Fonfon, do Rio de Janeiro, a Imprensa, usando sempre o pseudônimode João Bicudo. Em 1917, publicou Tropas e Boiadas, sua única coletânea de contos. Em 1920, estando prestes a concluir seu curso jurídico e, em crise de depressão, viaja ao interior de Minas Gerais e São Paulo.  Em 31 de março de 1921, quando retorna ao Rio de Janeiro, sucumbiu a depressão dando cabo à própria vida. [via]

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