Eu Li [36] – Desafio Literário 2011.09.02

Elos da Mesma Corrente
Rosarita Fleury
ICBC,  492 páginas

Mais um Clássico da Literatura Goiana!

O livro é uma narrativa (um tanto longa) sobre a família goiana do começo do fim do século XIX, retrata os usos e costumes de um povo, as roupas, a culinária,  a tradição religiosa, política, a linguagem típica de um lado até então esquecido deste Brasil.  Foi como embarcar em uma sociedade nunca explorada, descrita: um pouco de incursão histórica. Gostei de um tanto.
Tentando ser bem sucinta a história se passa na então capital do estado de Goiás, Vila Boa, e é contada a partir de um família cujos os ‘elos’ (a autora usa o termo propriamente como metáfora) formam correntes que se partem, entrelaçam e novamente se unem. Girando em torno de um figura masculina forte a família consegue sobreviver as circunstâncias da vida: a morte de entes queridos, a luta pela sobrevivência, a defesa do que considera justo/ moralmente aceitável. Tudo isso em torno de um momento socio-político conturbado, de transformação. Um final um tanto esperado desdo meio do livro mais ainda assim descrito de uma forma interessante.

A família é como uma corrente – falou erguendo-as nas mãos. Uma porção de elos presos uns aos outros. Em todas as famílias esses elos deviam ser bem fortes, bem resistentes, bem rijos, de sorte a representar uma força capaz de se fazer respeitar e contra a qual ninguém pudesse abrir força e lutas. Assim é que devia ser. Muitas vezes, porém, acontece ser diferente. Os irmãos não se entendem, não se ajudam, tornam-se egoístas, e, só muito tarde, chegam a compreender o valor de uma família unida. Infelizmente é o que se vê quase sempre. Se a corrente é forte, nem um touro consegue parti-la. Mas se possui um elo fraco, um só, por pequeno que seja, fica a corrente inutilizada. (p. 263)

——

Descobri pela internet que esta Obra, apesar de fora dos padrões vigentes no restante do país, conseguiu arrebatar o prêmio “Julia Lopes de Almeida” da Academia Brasileira de Letras em l959. Foi primeiro prêmio goiano, o primeiro reconhecimento desta literatura, em âmbito nacional  o que só aconteceu novamente quase trinta anos depois, em l983, com  Cora Coralina.   O pioneirismo de Rosarita Fleury também se deu porque esta publicação foi o primeiro romance de autoria feminina do estado de Goiás.
Ter lido este livro me deixa bem contente depois de saber disso, entendem?
🙂
Bom,né?

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