Eu Li [59]

Caim 
José Saramago
Companhia das Letras, 176 páginas

“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus,
nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.”

Saramago é sempre uma experiência incrível de leitura. Alguns livros contudo são um choque, não por serem mal escritos, longos, com histórias improdutivas ou coisas do gênero, esse, por exemplo, foi um choque de ideais. (suspiro) Mas vejamos: eu levei a história até o fim então não foi de todo ruim se encarado como uma boa literatura (apenas), me assustei quando li algumas resenhas que levam a sério de mais a escrita de Saramago colocando nos seus livros única e exclusivamente sob o filtro da sua vida pessoal (Não que eu acredite que  a vida pessoal não tenha influência nas ideologias que o autor coloca na sua escrita, mas não podemos ver os livros apenas por essa óptica, né?)


hehe Esse Quadrinho do Carlos Ruas ilustra bem o modo como li Saramago. A história bíblica do personagem título parece ser bem conhecida por todos : Caim mata seu irmão por inveja porque Deus  não vê com bons olhos a sua oferta, mas aceita as ofertas do seu irmão. Nesta versão contudo o espírito do ‘primeiro homicida’ é descrito e ele aparece como um crítico rebelde que acaba sendo condenado a uma caminha incerta pela vida. Nesta caminhada somos conduzidos por passagens do antigo testamento onde o autor recria a imagem de Deus violenta e sanguinariamente.  Um Deus caprichosamente controlador que arbitrariamente exige obediência castigando fortemente a quem não obedece.  Sério, esse Deus assusta.
No livro há a ironia clássica do autor nas passagens, críticas nada sutis ao tema religioso, há a escrita que já conhecemos e suas pontuações -por vezes – confusas, há risos  e um profundo incentivo para nos despirmos de todo preconceito (principalmente aos que proferem a religião criticada). A única coisas que reclamo mesmo e  realmente não me agradou foi outra coisas tipica do autor:o final – um abrupto remate meio destoante se levarmos em conta todo o conteúdo do livro.
Mas li uma frase de Pilar del Rio  (esposa do autor) que define o que carrego sobre a história “não é um tratado de teologia,  ou um ensaio, nem um acerto de contas é uma ficção, feita para desafiar, inquietar, fazer pensar, refletir sobre o tema e compartilhar idéias sobre ele.” 😉

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Eu participo do:

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Este livro faz parte da lista/meta de leitura deste projeto! 😉
É o terceiro livro de  Fevereiro (Livros  com Nome Próprio de Pessoas).

O que já li você pode conferir aqui.
E a lista toda deste ano  aqui.

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3 comentários sobre “Eu Li [59]

  1. Bem não sei se leria, pois li Ensaio sobre a cegueira e amei pois é bem fiel ao filme, porem não sei se porque quis ler obrigatoriamente ou se não me apeguei ao livro o título O Homem duplicado ainda não me prendeu…rsrs…por isso ele voltou pra traz da fila de leitura…rsrs….mas cada gosto é um gosto….gostei da resenha…beijokas elis

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