Eu Li [59]

Caim 
José Saramago
Companhia das Letras, 176 páginas

“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus,
nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.”

Saramago é sempre uma experiência incrível de leitura. Alguns livros contudo são um choque, não por serem mal escritos, longos, com histórias improdutivas ou coisas do gênero, esse, por exemplo, foi um choque de ideais. (suspiro) Mas vejamos: eu levei a história até o fim então não foi de todo ruim se encarado como uma boa literatura (apenas), me assustei quando li algumas resenhas que levam a sério de mais a escrita de Saramago colocando nos seus livros única e exclusivamente sob o filtro da sua vida pessoal (Não que eu acredite que  a vida pessoal não tenha influência nas ideologias que o autor coloca na sua escrita, mas não podemos ver os livros apenas por essa óptica, né?)

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Eu Li [58]

Desafio Machado de Assis

Tanta leitura atrasada, tantas resenhas não feitas. Eu me propus a um projeto e dele mal falo  neste blogue, pode? A leitura vai devagar mais uma hora sai por completo! Esta leitura de agora marca então um parte do:

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Helena
Machado de Assis
Ciranda Culltura, 160 páginas

O amor não é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger a criatura que há de ser companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvair-se ou corromper-se. [página 90]

Que Machado não é obvio todo mundo sabe. Mas quão surpreendente pode ser a leitura em suas linhas (sim! linhas) finais? Em uma leitura leve (de tão leve nem chega a aparecer o grande adjetivador Machado de Assis) com sua doce critica a moral e aos costumes de seu tempo (sempre, sempre!) nas corridas páginas deste romance conhecemos uma família fluminense que sofre nas primeiras linhas uma perda que provoca uma reviravolta nos seus hábitos. O testamento ao ser aberto traz consigo uma herança um tanto diferente junto ao patrimônio já esperado pelos familiares: Conselheiro Vale falece e deixa o reconhecimento póstumo de uma paternidade que injeta a formosa Helena no seio de sua família.
Passado o espanto e tentando cumprir os desejos do pai Estácio ajusta com sua tia Úrsula o acolhimento da irmã em sua casa. Cabe, com o passar do tempo, a encantadora jovem quebrantar os corações da nova família e assumir um papel especial na vida dos entes – que passam a vê-la como querida. Helena trás consigo um ar de alegria para o lar, dá ânimo e conforto a velha senhora e provoca deslumbre em alguns jovens. Contudo o coração gracejoso da protagonista carrega alguns segredos: O Primeiro remete a uma paixão avassaladora e inconfessável que carrega no peito, um  outro ao passado de sua mãe que toda a família desconhece e o último – talvez atado aos demais- misteriosas saídas matinais que despertam as más línguas de um ou outro. Continuar lendo

Eu Li [56]

Chocolate 
Joanne Harris
Rocco, 320 páginas


Uma cidadezinha no interior da França, igualzinha a qualquer outra cidadezinha do interior de qualquer outro país cristão, a Igreja, sua moral e seus bons costumes que ditam as regras sociais e Duas forasteiras, nômades, amantes da culinária e devotas a costumes divergentes ao cristianismo: eis o drama deste livro.
Um Padre com um passado obscuro e com sérios problemas de posicionamento  moral perante seus fiéis tem sua vida alavancada quando os ventos do carnaval trazem Vianne  e sua filha para a pequena cidade onde pastoreia. Vianne inaugura sua casa de doces durante o difícil período religioso da quaresma e consegue uma antipatia gratuita do Padre. Há então um embate de ideias que modifica todo o comportamento da cidadezinha e de seus habitantes. Fugindo do próprio passado e tentando conceder a filha um descanso da vida itinerante que até então levam , Vianne também tem a difícil escolha diária de enfrentar seus próprios medos personificados no Padre.
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Eu Li [55]

Como água para chocolate 
Laura Esquivel
Martins Fontes, 206 páginas

“Para a mesa e para a cama, uma só vez se chama…”

Uns anos atrás – tempo de escola ainda – eu comecei a ler o livro e achei enjoadinho. Nunca cheguei a terminar. Fiquei com esta impressão e já coloquei o livro no desafio esperando isso: muita boa vontade pra continuar lendo página por página! E veja como o tempo faz bem à literatura: Nem sei  porque cheguei a pensar isso!
O livro é simplesmente… fofo! Com sensibilidade sentimentos são misturados com delicados (e porque não calientes) sabores criando um romance divertido, com momentos surrealistas, e de certo modo agridoce. Há uma história de amor  que beira os conto de fadas com direito a tragédias familiares, sofrimento gratuito e até uma espécie de felizes para sempre. 🙂  Continuar lendo

Eu Li [54]

Gula
(O Clube dos Anjos – Coleção Plenos Pecados) 

Luís Fernando Veríssimo
Objetiva, 144 páginas

Um Livro do Veríssimo!
Aí tem amizade, clubes ‘secretos’, gastronomia, um pouco de suspense, assassinatos, tantos pecados… Dá pra imaginar como é tudo isso junto pelo olhar do Veríssimo?
Ri muuuito. De tão curtinho (li em uma sentada só) ficou com gosto de quero mais! ai meu Deus! será que estou cometendo o pecado da gula literária? =O

A crônica é narrada em primeira pessoa por um dos membros do ‘Clube do Picadinho’ – 10 amigos que se reúnem  regularmente por anos pra desfrutarem da boa companhia e de uma peculiar gastronomia. Com o passar dos anos há um desgaste natural da amizade que quase poe fim ao Clube. Surge então algo capaz de uni-los como outrora: um novo chef com mão divinas, capaz de fazer os melhores pratos  já experimentados pelos amigos. Ah que pegado! Nenhum deles consegue resistir à tentação de comer louca e apaixonadamente. Depois? Uma consequência individual (mês após mês) para cada um dos amigos. Consequência esta que só apimenta o prazer e ansiedade dos demais companheiros pela comidas do cozinheiro.

Querem saber o que acontece?
Leiam! Leiam! Vale cada linha.
(y)

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Eu Li [53]

Julie & Julia 
Julie Powell
Conrad, 312 páginas

É… sei que as artimanhas culinárias são para poucos. Mas apesar de tudo sempre tive um sonho antigo de aprender a cozinhar (não algo espetacular, apenas beirando a decência mesmo)! Depois de ler Julie Powell simplesmente vou engavetar por tempo indeterminado tudo isso! 😛
Sério! Ou a autora é louca ou cozinhar  a deixou assim! Porque eu realmente sei que a ideia do livro é nos fazer ver que ‘tudo fica bem no final’ e que  por mais malucos que sejam nossos projetos leva-los até o final tem lé  suas recompensas, mas eu só consigo ver agora é: que streeesss é tudo isso!

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Eu Li [47] – Desafio Literário 2011.11.02

O homem que sabia javanês e outros contos
Lima Barreto
ABC Editora, 98 páginas

Lima Barreto é um cara e tanto! Há tanto humor ácido em sus histórias que simplesmente não posso deixar de me encantar! 🙂 Este Livro é uma obra póstuma, composto por 17 contos que o ator publicou no jornal carioca “Gazeta da Tarde”.  Como é um livro curtinho dá pra falar rapidinho sobre todas as suas histórias:

  •  O Homem que sabia Javanês
    O mais divertido conto do livro, de longe compreensivo porque dá título a uma obra de Lima Barreto. Um homem vê um anúncio no jornal: Precisa-se de um professor de língua javanês. Precisando de uma solução emergencial para seus problemas financeiros, aprende o básico do idioma em uma enciclopédia (ah! essa era pré Google…) e responde ao anúncio apresentando-se como professor de javanês. O velho que escreveu o anúncio, conta que recebeu um livro, no tal idioma, de seu pai e que este seria uma espécie de talismã que geraria/ restituiria a felicidade da família, uma vez que fosse compreendido. O velho acaba desistindo de aprender javanês mas incube o personagem principal de traduzir o livro. Com uma imaginação fértil o personagem acaba inventando toda a tradução do livro e para surpresa acreditam-se em tudo. O protagonista então acaba sendo reconhecido ( em todo o país) como o homem que sabia javanês inclusive virando cônsul por conta disso. Uma brincadeira/sátira a política brasileira, né? Cara de Barreto mesmo…
  • Três Gênios de Secretaria
    Um pouco tedioso, leitura rebuscada e cansativa, mas é só um conto deu pra levar até o final.
    O narrador do conto diz receber de notas de M. J. Gonzaga de Sá, personagem do romance de Lima Barreto, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. O autor das notas, apreciador dos funcionários públicos, faz uma rápida análise de três secretários, geniosos.
  • O Único assassinato de Cazuza
    Sátira politica que gira em torno da critica aos problemas de segurança no Brasil.
    O Personagem principal, Cazuza, comenta sobre isso (os problemas de segurança) com um amigo e no meio da conversa revela já ter cometido um assassinato ainda quando criança. Não posso estragar o conto vale a pena ler pra sorrir um pouquinho com as causalidades da vida.
  •  O Número da sepultura
    Zilda é encarregada por Augusto, seu marido, de tomar conta das dívidas da casa. Certa noite sonha com sua avó , já morta,  e está lhe aconselha a apostar o número da sua sepultura. A mulher aposta mas fica apreensiva sobre o que dirá ao marido caso não ganhe. Temos um final feliz com pitada do machismo brasileiro do começo do século XX.
  • Manuel Capineiro
    O protagonista que dá título ao conto é um português que ganha a vida num capinzal e possui dois bois que ele tratava como filhos. Uma fatalidade envolve a vida do personagem e seus bois e o conto narra o drama de Manuel pra superar tudo isso.
  • Milagre do Natal
    Neste conto, temos um triângulo amoroso, quando Guaicuru e Simplício se apaixonam por Mariazinha, filha do casal: Feliciano Campossolo e dona Sebastiana. Há também no conto, a questão do casamento por conveniência.
  • Quase ela deu o sim; mas…
    O protagonista é um moço, forte e saudável, mas pouco amigo do trabalho e  pretende-se casar com uma mulher que lhe fizesse todos os serviços do lar. Fica de olho e pede em casamento dona Ermelinda. Dona Ermelinda dá-lhe uma lista de coisas para ele comprar, mas ele diz não ter dinheiro. Dona Ermelinda dá-lhe um quase sermão. João Cazu sai para arrumar as compras… eis o final interessante do conto!
  • Foi buscar lã
    Um sério advogado que veio do Norte para o Rio de Janeiro ganha fama ao revelar-se uma pessoa de princípios, grandes virtudes. Nada é tão surpreendente, né? Ao final do conto  descobrimos a verdadeira índole do advogado.
  •  O Falso D. Henrique V
    Uma critica bem direta a República (algo que o autor era severamente não apoiava). Lima Barreto cria aqui um lugar chamado Bruzundanga, onde uma série de peripécias são relatadas sobre os reinados do estranho país.
  • Eficiência Militar
    Num momento em que o exército chinês não prossegue num de seus melhores momentos, o rei tem uma idéia bem sutil para remediar o caso: Mudar o Uniforme! (??)
  •  O Pecado
    Critica (mais uma) a sociedade brasileira.
    São Pedro, analisando as listas d’almas dos ex-vivos que logo se apresentariam no céu, depara-se com o nome de P.L.C. que foi dado como justo. Ainda assim, a descrição da pessoa de P.L.C. faz São Pedro acreditar que ele merece assentar-se à direita do Eterno. São Pedro vai falar ao seráfico burocrata do céu. O burocrata analisa e dá um veredito  um tanto diferente do esperado por São Pedro. =/ Reflexo da sociedade do começo do século XX ( e porque  não infelizmente da atual).
  • Um que vendeu a sua alma
    Conta-se a anedota de um homem que vendeu sua alma para o diabo por apenas vinte mil-réis.
  • Carta de um defunto rico
    Uma das melhores histórias do livro. Um morto falando sobre os dilemas entre a vida e morte. Reflexivo.
  • Um Especialista
    Posso dizer apenas que é surpreendente. Após abandonar a família, um comendador português que tinha uma preferência muito particular pelas mulatas, conhece e relaciona-se com a  mulata Alice. Só que há um peça do destino nisso tudo e um final e tanto…
  • O Filho de Gabriela
    Conta a história de Horácio, filho de criação de dona Laura. O autor mostra como se sente Horácio por ser filho de criação. Conforme vai crescendo, ele percebe a forma como é tratado pelos pais. A conseqüência desse pensamento é um delírio febril, segundo o diagnóstico médico feito em Horácio.
  •  A Mulher do Anacleto
    Violência doméstica, abandono da mulher, indiferença pela sua sorte e posteriormente para com sua morte: esta é a vida de Anacleto.  Passa-se os anos e quando muda sua vida não pode prossegui-la por causa da  falecida esposa.
  •  O Caçador Doméstico.
    Conta a história de Simões que acaba sendo estraçalhado pela sua própria matilha. Enjoadinho apenas.

Eu Li – Mas Não Vou Resenhar

Porque?
Por que em suma são livros técnicos e depois que me formei realmente fiquei ‘traumatizada’ em resenhar esse tipo de livro. ;D    Como o blogue  é uma lembrança de todas as leitura resolvi deixar aqui o registro.

 

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Eu Li [36] – Desafio Literário 2011.09.02

Elos da Mesma Corrente
Rosarita Fleury
ICBC,  492 páginas

Mais um Clássico da Literatura Goiana!

O livro é uma narrativa (um tanto longa) sobre a família goiana do começo do fim do século XIX, retrata os usos e costumes de um povo, as roupas, a culinária,  a tradição religiosa, política, a linguagem típica de um lado até então esquecido deste Brasil.  Foi como embarcar em uma sociedade nunca explorada, descrita: um pouco de incursão histórica. Gostei de um tanto.
Tentando ser bem sucinta a história se passa na então capital do estado de Goiás, Vila Boa, e é contada a partir de um família cujos os ‘elos’ (a autora usa o termo propriamente como metáfora) formam correntes que se partem, entrelaçam e novamente se unem. Girando em torno de um figura masculina forte a família consegue sobreviver as circunstâncias da vida: a morte de entes queridos, a luta pela sobrevivência, a defesa do que considera justo/ moralmente aceitável. Tudo isso em torno de um momento socio-político conturbado, de transformação. Um final um tanto esperado desdo meio do livro mais ainda assim descrito de uma forma interessante.

A família é como uma corrente – falou erguendo-as nas mãos. Uma porção de elos presos uns aos outros. Em todas as famílias esses elos deviam ser bem fortes, bem resistentes, bem rijos, de sorte a representar uma força capaz de se fazer respeitar e contra a qual ninguém pudesse abrir força e lutas. Assim é que devia ser. Muitas vezes, porém, acontece ser diferente. Os irmãos não se entendem, não se ajudam, tornam-se egoístas, e, só muito tarde, chegam a compreender o valor de uma família unida. Infelizmente é o que se vê quase sempre. Se a corrente é forte, nem um touro consegue parti-la. Mas se possui um elo fraco, um só, por pequeno que seja, fica a corrente inutilizada. (p. 263)

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Descobri pela internet que esta Obra, apesar de fora dos padrões vigentes no restante do país, conseguiu arrebatar o prêmio “Julia Lopes de Almeida” da Academia Brasileira de Letras em l959. Foi primeiro prêmio goiano, o primeiro reconhecimento desta literatura, em âmbito nacional  o que só aconteceu novamente quase trinta anos depois, em l983, com  Cora Coralina.   O pioneirismo de Rosarita Fleury também se deu porque esta publicação foi o primeiro romance de autoria feminina do estado de Goiás.
Ter lido este livro me deixa bem contente depois de saber disso, entendem?
🙂
Bom,né?