Eu Li [50] – Desafio Literário 2011.12.01

Entãããoo..
Último dia, última hora… Desafio Completado !!
\o/

As Esganadas
Jô Soares
Cia das Letras, 264 páginas

“Quando se elimina o impossível,
o que resta, por mais improvável que pareça,
tem de ser a verdade.”

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Eu Li [48] – Desafio Literário 2011.11.03


Os 100 melhores contos brasileiros do século
Ítalo Moriconi
Objetiva, 622 páginas

Não conseguiria resenhar todos os contos deste livro, então vou roubar a sinopse de sites das livrarias,tá?

  • Nesta antologia, o professor Italo Moriconi apresenta os cem melhores textos do gênero produzidos no Brasil ao longo do século 20. Seguindo rígidos critérios acadêmicos e pautado somente pela qualidade e pelo sabor dessas pequenas obras-primas, esta coletânea faz um passeio pela mais deliciosa e contundente ficção curta produzida no Brasil entre 1900 e o fim dos anos 90. Uma antologia capaz de traduzir as mudanças do país e as inquietações de várias gerações de brasileiros, em cem anos de produção literária. Para ilustrar esse instigante e rico panorama, Moriconi  só escalou craques!;)

Gente! E como deve ter sido difícil selecionar os ‘melhores’, né? Tantos ficaram de fora… Mas todos os que entraram mereceram muito! Li o livro todo bem rápido porque realmente cada um deles é muito envolvente!
Bem divididinho por décadas essa Obra é fluente, apesar de extensa, acabei lendo na ordem que apareceram e não cheguei a cansar em nenhum momento. Tá certo que um ou outro são enjoadinhos (principalmente os primeiros) e com linguagens densas, mas o saldo é muito positivo.
Minhas décadas preferidas foram as de 60 e 70 onde os contos foram mais introspectivos: aparecem aqui as fantásticas Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles junto com Fernando Sabino e Rubem Fonseca ! Deleite puro, né? 🙂
Sempre li sobre isso e até suspeitei em muitas outras leituras mas foi neste livro que pude ver a mudança do pensamento da nossa sociedade tão bem refletida na nossa literatura!
A-MEI !!

Era proposta do Desafio ler “Os 100 melhores contos de humor da literatura Universal” catalogado por Flávio Moreira da Costa. Depois de ler o livro Moriconi desejei muito mesmo fazer isso,  porque se for como foi este valerá muito a pena! 🙂
Contudo pro Desafio não conseguirei… Uma pena ter que adiar mais um pouquinho!

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Eu Li [47] – Desafio Literário 2011.11.02

O homem que sabia javanês e outros contos
Lima Barreto
ABC Editora, 98 páginas

Lima Barreto é um cara e tanto! Há tanto humor ácido em sus histórias que simplesmente não posso deixar de me encantar! 🙂 Este Livro é uma obra póstuma, composto por 17 contos que o ator publicou no jornal carioca “Gazeta da Tarde”.  Como é um livro curtinho dá pra falar rapidinho sobre todas as suas histórias:

  •  O Homem que sabia Javanês
    O mais divertido conto do livro, de longe compreensivo porque dá título a uma obra de Lima Barreto. Um homem vê um anúncio no jornal: Precisa-se de um professor de língua javanês. Precisando de uma solução emergencial para seus problemas financeiros, aprende o básico do idioma em uma enciclopédia (ah! essa era pré Google…) e responde ao anúncio apresentando-se como professor de javanês. O velho que escreveu o anúncio, conta que recebeu um livro, no tal idioma, de seu pai e que este seria uma espécie de talismã que geraria/ restituiria a felicidade da família, uma vez que fosse compreendido. O velho acaba desistindo de aprender javanês mas incube o personagem principal de traduzir o livro. Com uma imaginação fértil o personagem acaba inventando toda a tradução do livro e para surpresa acreditam-se em tudo. O protagonista então acaba sendo reconhecido ( em todo o país) como o homem que sabia javanês inclusive virando cônsul por conta disso. Uma brincadeira/sátira a política brasileira, né? Cara de Barreto mesmo…
  • Três Gênios de Secretaria
    Um pouco tedioso, leitura rebuscada e cansativa, mas é só um conto deu pra levar até o final.
    O narrador do conto diz receber de notas de M. J. Gonzaga de Sá, personagem do romance de Lima Barreto, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. O autor das notas, apreciador dos funcionários públicos, faz uma rápida análise de três secretários, geniosos.
  • O Único assassinato de Cazuza
    Sátira politica que gira em torno da critica aos problemas de segurança no Brasil.
    O Personagem principal, Cazuza, comenta sobre isso (os problemas de segurança) com um amigo e no meio da conversa revela já ter cometido um assassinato ainda quando criança. Não posso estragar o conto vale a pena ler pra sorrir um pouquinho com as causalidades da vida.
  •  O Número da sepultura
    Zilda é encarregada por Augusto, seu marido, de tomar conta das dívidas da casa. Certa noite sonha com sua avó , já morta,  e está lhe aconselha a apostar o número da sua sepultura. A mulher aposta mas fica apreensiva sobre o que dirá ao marido caso não ganhe. Temos um final feliz com pitada do machismo brasileiro do começo do século XX.
  • Manuel Capineiro
    O protagonista que dá título ao conto é um português que ganha a vida num capinzal e possui dois bois que ele tratava como filhos. Uma fatalidade envolve a vida do personagem e seus bois e o conto narra o drama de Manuel pra superar tudo isso.
  • Milagre do Natal
    Neste conto, temos um triângulo amoroso, quando Guaicuru e Simplício se apaixonam por Mariazinha, filha do casal: Feliciano Campossolo e dona Sebastiana. Há também no conto, a questão do casamento por conveniência.
  • Quase ela deu o sim; mas…
    O protagonista é um moço, forte e saudável, mas pouco amigo do trabalho e  pretende-se casar com uma mulher que lhe fizesse todos os serviços do lar. Fica de olho e pede em casamento dona Ermelinda. Dona Ermelinda dá-lhe uma lista de coisas para ele comprar, mas ele diz não ter dinheiro. Dona Ermelinda dá-lhe um quase sermão. João Cazu sai para arrumar as compras… eis o final interessante do conto!
  • Foi buscar lã
    Um sério advogado que veio do Norte para o Rio de Janeiro ganha fama ao revelar-se uma pessoa de princípios, grandes virtudes. Nada é tão surpreendente, né? Ao final do conto  descobrimos a verdadeira índole do advogado.
  •  O Falso D. Henrique V
    Uma critica bem direta a República (algo que o autor era severamente não apoiava). Lima Barreto cria aqui um lugar chamado Bruzundanga, onde uma série de peripécias são relatadas sobre os reinados do estranho país.
  • Eficiência Militar
    Num momento em que o exército chinês não prossegue num de seus melhores momentos, o rei tem uma idéia bem sutil para remediar o caso: Mudar o Uniforme! (??)
  •  O Pecado
    Critica (mais uma) a sociedade brasileira.
    São Pedro, analisando as listas d’almas dos ex-vivos que logo se apresentariam no céu, depara-se com o nome de P.L.C. que foi dado como justo. Ainda assim, a descrição da pessoa de P.L.C. faz São Pedro acreditar que ele merece assentar-se à direita do Eterno. São Pedro vai falar ao seráfico burocrata do céu. O burocrata analisa e dá um veredito  um tanto diferente do esperado por São Pedro. =/ Reflexo da sociedade do começo do século XX ( e porque  não infelizmente da atual).
  • Um que vendeu a sua alma
    Conta-se a anedota de um homem que vendeu sua alma para o diabo por apenas vinte mil-réis.
  • Carta de um defunto rico
    Uma das melhores histórias do livro. Um morto falando sobre os dilemas entre a vida e morte. Reflexivo.
  • Um Especialista
    Posso dizer apenas que é surpreendente. Após abandonar a família, um comendador português que tinha uma preferência muito particular pelas mulatas, conhece e relaciona-se com a  mulata Alice. Só que há um peça do destino nisso tudo e um final e tanto…
  • O Filho de Gabriela
    Conta a história de Horácio, filho de criação de dona Laura. O autor mostra como se sente Horácio por ser filho de criação. Conforme vai crescendo, ele percebe a forma como é tratado pelos pais. A conseqüência desse pensamento é um delírio febril, segundo o diagnóstico médico feito em Horácio.
  •  A Mulher do Anacleto
    Violência doméstica, abandono da mulher, indiferença pela sua sorte e posteriormente para com sua morte: esta é a vida de Anacleto.  Passa-se os anos e quando muda sua vida não pode prossegui-la por causa da  falecida esposa.
  •  O Caçador Doméstico.
    Conta a história de Simões que acaba sendo estraçalhado pela sua própria matilha. Enjoadinho apenas.

Eu Li [38] – Desafio Literário 2011.10.03

 Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
Pablo Neruda
José Olympio, 76 páginas

Não sei como descrever Neruda. O Livro é triste, mas tão belo… É tão único, tão melancólico…. Confesso que li pouquíssima coisa do autor acho que se não fosse o Desafio provavelmente meu estado de espírito atual também não me permitiria ler este livro: é muito introspectivo! Mas acho que por isso mesmo é tão único! Os Poemas de Amor são desesperadores e a Canção uma leve ternura. O livro é uma viagem pela memória, pela própria ternura e pelo amor (que é formado de saudade, de desejo, de delírios).
Fico assim, com poucas linhas, mas com uma vontade muito grande de estender a experiência de leitura a quem precisar ler a Boa Poesia: Indico muito!
Próxima meta é tentar ler no original… Será que consigo?

Eu Li [37] – Desafio Literário 2011.10.01

Cem Anos de Solidão

Gabriel García Márquez

Record, 448 páginas

… insondável solidão que ao mesmo tempo os separava e unia…

Gente! Vem cá! Como descrever Cem Anos de Solidão? Nada do que eu diga será muito diferente das inúmeras resenhas  que podemos encontrar por aí… Mas também cá entre nós! Ler este livro é um experiência única! Não tive dúvida quando li o tema “Nobel de Literatura” de que García Márquez entraria na lista, foi um desafio e tanto concluir esta leitura (40 dias e poucos dias lendo!)  mas valeu muito a pena.

A história traga completamente os leitores para dentro da família protagonista: Os Buendía que surge com o casamento de Úrsula e seu primo José Arcadio, o (divertido) medo pelos descendentes deste casamento proporciona o êxodo dos personagens da sua cidade natal. Acabam então fundando,  em um local quase místico, a cidade de Macondo local onde se passará todo o resto da história.
Úrsula  e José Arcadio têm três filhos o crescimento e o ‘enloquecimento’ das gerações futuras são narrados de forma única. Surgem elementos e vivências  fantásticas que passam a ser naturalizados na cidade, há uma vida/sorte  cíclica  entre os personagens e seus descendentes que chega a ser sufocante: É possível romper a ordem (uma espécie de ‘maldição’ de família) e construir o próprio destino? Ou seremos sempre o  reflexo do passado que nos ronda?
O livro também nos apresenta enlaces temporais (que alguns preferem chamar de labirintos temporais) que precisam ser lidos pausadamente para serem compreendidos (no começo foi difícil captar) . Do mesmo modo os relacionamentos familiares se dão de forma ‘confusa’, tornando a família bem única. Fascinante simplesmente.
Os personagens parecem viver todos a flor da pele: o tempo todo  encara-se as paixões, os medos, as loucuras! São avassaladores todos os sentimentos e o fim resta sempre a angústia do destino daquilo que é sempre vivido como chama:  se consumir e virar cinza! Eis a solidão!

Um final nada menos que surpreendente e creio que a leitura ainda ecoará por certo tempo na minha cabeça. Vale muito pensar em uma releitura tão logo o tempo permitir!

  🙂

Eu Li [36] – Desafio Literário 2011.09.02

Elos da Mesma Corrente
Rosarita Fleury
ICBC,  492 páginas

Mais um Clássico da Literatura Goiana!

O livro é uma narrativa (um tanto longa) sobre a família goiana do começo do fim do século XIX, retrata os usos e costumes de um povo, as roupas, a culinária,  a tradição religiosa, política, a linguagem típica de um lado até então esquecido deste Brasil.  Foi como embarcar em uma sociedade nunca explorada, descrita: um pouco de incursão histórica. Gostei de um tanto.
Tentando ser bem sucinta a história se passa na então capital do estado de Goiás, Vila Boa, e é contada a partir de um família cujos os ‘elos’ (a autora usa o termo propriamente como metáfora) formam correntes que se partem, entrelaçam e novamente se unem. Girando em torno de um figura masculina forte a família consegue sobreviver as circunstâncias da vida: a morte de entes queridos, a luta pela sobrevivência, a defesa do que considera justo/ moralmente aceitável. Tudo isso em torno de um momento socio-político conturbado, de transformação. Um final um tanto esperado desdo meio do livro mais ainda assim descrito de uma forma interessante.

A família é como uma corrente – falou erguendo-as nas mãos. Uma porção de elos presos uns aos outros. Em todas as famílias esses elos deviam ser bem fortes, bem resistentes, bem rijos, de sorte a representar uma força capaz de se fazer respeitar e contra a qual ninguém pudesse abrir força e lutas. Assim é que devia ser. Muitas vezes, porém, acontece ser diferente. Os irmãos não se entendem, não se ajudam, tornam-se egoístas, e, só muito tarde, chegam a compreender o valor de uma família unida. Infelizmente é o que se vê quase sempre. Se a corrente é forte, nem um touro consegue parti-la. Mas se possui um elo fraco, um só, por pequeno que seja, fica a corrente inutilizada. (p. 263)

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Descobri pela internet que esta Obra, apesar de fora dos padrões vigentes no restante do país, conseguiu arrebatar o prêmio “Julia Lopes de Almeida” da Academia Brasileira de Letras em l959. Foi primeiro prêmio goiano, o primeiro reconhecimento desta literatura, em âmbito nacional  o que só aconteceu novamente quase trinta anos depois, em l983, com  Cora Coralina.   O pioneirismo de Rosarita Fleury também se deu porque esta publicação foi o primeiro romance de autoria feminina do estado de Goiás.
Ter lido este livro me deixa bem contente depois de saber disso, entendem?
🙂
Bom,né?

Eu Li [35] – Desafio Literário 2011.09.01

Tipo… a resenha tá mega atrasada! (assim como a próxima que segue) mas como não abandonei o Desafio  (apenas me enrolei um pouquinho)  vim aqui fazê-la com muito carinho,viu? Achei simplesmente incrível a oportunidade de conhecer autores diversos (e muitos até desconhecidos) deste Brasil! Uma pena não ter conseguido mostrar  um pouquinho de Goiás para o grupo do Desafio. =/
Mas vamos lá:

Tropas e Boiadas
Hugo de Carvalho Ramos
Kelps, 156 páginas

Escolhi Tropas e Boiadas no primeiro instante que vi a opção no Desafio. O nome do autor fez parte de bons anos da minha vida (eu estudei em um Colégio que carregava seu nome) eu nunca tinha criado coragem para ler sua Obra! Na Biblioteca deslumbrava a primeira edição do livro, mas só agora 5 ou 6 anos depois consegui ler essa edição bonitinha aí da Editora Kelps! 😀 Aí vocês julgam como não é ‘nada parcial’ minha resenha,né? hehe 🙂

Tropas e Boiadas é um livro de contos e crônicas regionalistas sobre o universo sertanejo. Chega até ser poético a maneira como é exposta a realidade  goiana do começo do século. Apesar dos termos difíceis (posso dizer arcaicos?)  e de um linguajar cheios de ‘jargões’ típicos do interior do Brasil (confesso que as pessoas de fora podem se sentir um tanto quanto perdidas nesta linguagem) as narrativas em si não são difíceis de entender.
A realidade (diria a vida social) goiana, assim como a natureza  do estado (<3 Cerrado) é descrita de uma forma muito real apesar de ‘estilizada’, as palavras, de certo modo, chegam a ferir  pelo modo agressivo que muitas vezes se apresenta: para retratar a dureza do sertanejo não há forma melhor. O autor carrega as linhas com ideologias e criticas a sociedade da época e a escrita rude parece ser feita para impressionar os leitores. A meu ver, consegue.
Também senti uma melancolia, uma tristeza que beira a saudade, das vivências. O autor parece relembrar nostalgicamente, com uma riqueza de detalhes ímpar, um Goiás onde a ordem de importância e as necessidades sentimentais/materiais do povo está ainda distante do que o país vivia até então; o modo como trata os animais na narrativa ilustra isso: o sertanejo zela pela integridade do animal, muitas vezes mais do que a sua própria, e de algum modo sinto que Carvalho Ramos acaba transformando eles em protagonistas colocando o homem como parte secundária das histórias.
No livro ainda podemos conhecer muito do folclore  goiano criando então também um folclore, algo que beira o mito, sobre a realidades destas terras contrastando com o esteriótipo provinciano que as mesmas apresentavam para o país litorâneo.
Até pensei em descrever um pouquinho de cada dos 15 contos do livro… Mas bateu preguicinha 😛 Fica pra releitura! (sim, sim! Gostei a ponto de desejar isso pra qualquer dia desses..)

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Aos 21, quando publicou Tropas e Boiadas

Aos 21, quando publicou Tropas e Boiadas

Hugo de Carvalho Ramos nasceu em 21 de maio de 1895, em Vila Boa, então Capital do Estado de Goiás. Iniciou seus estudos na cidade natal e depois foi para o Rio de Janeiro, onde, em 1916, matriculou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Colaborou com diversos jornais e revistas, Lavoura e Comércio, de Uberaba, a revista Fonfon, do Rio de Janeiro, a Imprensa, usando sempre o pseudônimode João Bicudo. Em 1917, publicou Tropas e Boiadas, sua única coletânea de contos. Em 1920, estando prestes a concluir seu curso jurídico e, em crise de depressão, viaja ao interior de Minas Gerais e São Paulo.  Em 31 de março de 1921, quando retorna ao Rio de Janeiro, sucumbiu a depressão dando cabo à própria vida. [via]

Eu Li [32] – Desafio Literário 2011.08.02

Desafio Machado de Assis

A ideia de ler o livro vem do Projeto ‘Desafio Literário’, mas acabo embarcando na minha própria ideia/meta de leitura, então este também é meu primeiro livro do:

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Quincas Borba
Machado de Assis
L&PM PoKet, 280 páginas

Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal.Tudo chorando seria monótono,tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas,acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida…
[Capítulo XLV]

Pois Bem! Este era o único Romance da Trilogia Realista de Machado que me faltava! E sabe, não importa a ‘densidade’ dos livros Machadianos a cada nova leitura me divirto ainda mais com com a acidez inspiradora delas.

Quincas Borba não é o protagonista do livro que nomeia! [ =O ] (surpresa, surpresa!) É apenas um velho, filósofo, rico que norteia as desventuras de Rubião, o verdadeiro anfitrião da história. Por ele indaguei, no decorrer do livro, o quão perto pode ficar a grandeza de um homem e o ridículo. Um ser cuja a verdade bastava perante a incredulidade (ou incapacidade) dos demais de lhe entender. Figura excêntrica.
O protagonista Rubião  é  um indivíduo de caráter simples – que beira a ingenuidade – e não parece entender as artimanhas sociais que ‘movem’ o mundo. Acaba agindo sempre pelas circunstâncias e mesmo lutando contra – ou não- acaba engolido pela Vida e  destruído pelos que nela mandam. A essência da bondade tola.

No fim da vida, Quincas Borba acaba tendo como único amigo Rubião  e a ele tenta deixar a mais nobre de suas heranças: a filosofia Humanitista. Acaba, em por menores, também deixando a tutela de um cão que além de carregar seu nome também torna-se seu herdeiro.  Rubião torna-se rico, muda-se de cidade  e toda a essência da história começa a desenvolver-se. A teoria filosófica de Borba é posta a prova , sem querer, por Rubião e ao final da saga vence pela crença de ser a essência humana.

O Romance, em si, é Machado, mais uma vez, mergulhando na insanidade dos pensamentos humanos: construindo personagens com mentes indecifráveis. Mulheres más (?), ou simplesmente perdidas em truques sociais também vêem à tona neste enredo.

Machado acaba se divertindo (ao tratar acidamente) as custas das teorias cientificas que surgiam no seu tempo. ‘Quincas Borba’ (o livro) debocha do positivismo de Comte  e suas teorias sociais, namora com Darwin a cerca da seleção natural  e flerta com  Nietzsche ao falar do Cristianismo. É um livro muitas  interfaces , exige muita perspicácia do leitor…

Ao final, como em quase todo machado que leio, creio que a loucura nos fere e nos mata… mas sem ela não podemos vier! E porque não.. ela é única que nos salva! 🙂
[sim, sim! contaminada pelo pessimismo gostoso do autor!] 

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Semana passada, em um encontro com os amigos, refletimos sobre isso.
Deixo uma homenagem, dos primeiros capítulos deste livro:

Rubião fitava a enseada […]
Cortejava o passado com o presente.
Que era, há um ano? Professor.
Que é agora? Capitalista.

Nosso destino Amigos! 😉
2 anos.
;** 

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Eu Li [31] – Desafio Literário 2011.08.01

Sabe, uma das melhores coisas da literatura é a capacidade de nos divertir. A boa literatura, dentro da minha doce opinião, implica em reflexão sobre o mundo, sim! mas sem perder o dom do encanto. Este livro consegue fazer isso! xD E olha só! é um Clássico! Livros tidos como ‘chatos ‘ (vide minha resenha anterior). Merece então um parabéns duplo! 🙂

O Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Lima Barreto
Saraiva, 266 páginas

“Em vários tempos e lugares, a loucura foi considerada sagrada, e deve haver razão nisso no sentimento que se apodera de nós quando, ao vermos um louco desarrazoar, pensamos logo que já não é êle quem fala, é alguém, alguém que vê por êle, interpreta as coisas por ele, está atrás dêle, invisível!…” (começo da segunda parte do livro)

Talvez seja um livro sobre loucura.
A loucura que talvez todos precisamos.
Um Objeto para amar.O Foco verdadeiro em um objetivo.
O personagem que dá título a Obra tem por objeto a Pátria e desenvolve por ela uma afeição única, linda, essencial.
Vive-se e Morre-se pelo ser amado,não é?

Na primeira parte  Lima Barreto narra o surgimento de um intelectual: os livros, a música, os delírios utópicos de transformação social, a busca pelas raízes primordiais da estrutura da nação, o idealismo, o sonho. Nada muito diferente de qualquer estudante, de semestres iniciais, de humanas das universidade públicas brasileiras (talvez de outras, mas só falo em causa própria). Claro que isso trás em si consequências sociais. Afinal, como entender visionários?
Na segunda etapa, após sofrer sansões sociais e ‘curar-se’ da insanidade (seria apenas sonhos seus objetivos?) intelectual, Policarpo acaba projetando uma outra visão para o Brasil:  a Grande pátria existirá fora da grande cidade. Encurrala-se, então, em um interior para tentar novamente mudar a nação. Transtornos à parte o heroico personagem acaba esbarrando em outra grande decepção.
A parte final carrega o teor político e deixa o livro um pouquinho (mais)  cansativo . Todavia é a parte mais interessante da história: O ápice do amadurecimento intelectual e a ingenuidade sempre caminharão lado a lado. E claro, claro… nada fica impune neste país! O posicionamento crítico (ou não) sempre terá efeito sobre nós. Quem nasce idealista leva para túmulo a dor de nunca encontrar alguém para entender seus sonhos.

Sério! rolou identificação com a história! 🙂
E dá até vergonha de ver a transfonação de intelectuais ‘Policarpos’ em outros mais ao estilo de Adauto Novaes e sua Solidão dos Intelectuais! ai! Debruçando sobre política brasileira (e certo meio que frequento, né?) fica tanto a ser aprender com este livro…

Em Tese: Um livro leve, dentro da linguagem do seu tempo (não, não! não vou entrar neste mérito por hoje), contando a história de um sonhador… fazendo críticas ao sistema público de administração, a política de ontem e (porque não?) de hoje. E o fim… bem, haha (clichê) triste (?)! Acho que nem tanto! vale a pena ler pra entender!

Chamo de aprendizado.
🙂